COLUNA: MIRADOURO EM MOVIMENTO
PREPAREM OS BOLSOS! AUMENTOS NOS PREÇOS DOS COMBUSTÍVEIS INFLUENCIAM TODA A ECONOMIA
E só pra lembrar: em 2021 não teremos eleições. Isso pesa demais. Sobretudo, quando falamos de reajustes de preços.
O caso dos combustíveis me parece claro.
Ainda estamos em fevereiro, mas a Petrobrás já anunciou dois aumentos para a gasolina e um para o diesel. No caso da gasolina, um reajuste de 7,6% em 8 de janeiro e outro de 5% no dia 26 do mesmo mês.
Já o diesel, o “calcanhar de Aquiles” na relação do governo federal com os caminhoneiros, o reajuste foi de 4,4%.
Os preços de ambos irão subir ainda mais no decorrer do ano. Os analistas ainda divergem em relação aos percentuais. Mas que irão subir, isso é certo. A gasolina ainda mais. O diesel subirá menos, por se tratar de uma questão politicamente sensível.
Mas, o que explica do ponto de vista metodológico, os reajustes já efetuados e os que estão por vir?
A explicação está na forma como a Petrobrás calcula os reajustes às refinarias e como essas os repassam na cadeia logística até chegar às bombas nos postos de combustíveis.
A Petrobrás segue uma lógica chamada de PPI (Paridade dos Preços Internacionais). Quais os critérios principais? São dois: 1) os preços internacionais do petróleo e, 2) a taxa de câmbio no Brasil (a relação entre o Dólar americano e o Real brasileiro).
O primeiro critério é ditado pela Opep+ (Os maiores países produtores de petróleo + a Rússia). Apesar de ser um grande produtor de petróleo, o Brasil ainda não está no patamar de produção dos países do Golfo Pérsico, da Venezuela e da Rússia.
E a Opep+ vem restringindo a quantidade diária de barris produzidos por dia. Isso faz com que o preço internacional do barril suba muito, como vem acontecendo desde o ano passado.
Já o segundo critério, a taxa de câmbio também nos desfavorece. Já faz muito tempo que R$ 1,00 vale mais que 5 dólares. Com a nossa economia em recuperação, fica difícil por uma série de motivos, fazer com que a taxa de câmbio diminua. Ou seja, que o Real se valorize frente ao Dólar.
E aí entra a pior das notícias.
Na realidade, a Petrobrás, mesmo diante dos aumentos contínuos nos preços internacionais do barril de petróleo e das contínuas desvalorizações do Real frente ao Dólar, vinha segurando os reajustes para a gasolina e o diesel em todo o território nacional.
Em outras palavras, há uma coisa chamada DEFASAGEM nos preços dos combustíveis nas bombas.
Por incrível que pareça!
A existência dessa defasagem (o que para a Petrobrás é um prejuízo) somada a um ano sem eleições, como é o caso de 2021, formam uma equação que traz um resultado já previsto: aumentos nos preços.
Quais seriam as alternativas?
– A Petrobrás, através do governo federal, mudar a sua metodologia para o cálculo dos preços dos combustíveis. Muito difícil que isso aconteça. Abriria uma crise terrível entre o Palácio do Planalto, a equipe econômica do governo e entre a direção e acionistas da Petrobrás. Para o governo federal é melhor tentar administrar os reajustes nos preços do que tentar interferir nos critérios adotados pela empresa.
– Outra alternativa seria mexer nos impostos federais e estaduais que incidem sobre os preços dos combustíveis (em média, 50%).
Aí o “vespeiro” é maior ainda. Envolveria uma “engenharia tributária” entre governo federal, governos estaduais, Congresso Nacional, empresas multinacionais e empresariado nacional muito complexa. Praticamente impossível.
Então, o que temos para agora é isso. Aumento maior nos preços da gasolina e aumentos um pouco menores no diesel (por conta da relação com o setor de transportes rodoviários).
Aumento nos preços dos combustíveis reflete em aumento nos preços de alimentos e transportes, sobretudo.
OU SEJA, TODOS NÓS IREMOS PAGAR! DE UMA FORMA OU DE OUTRA. PODEM PREPARAR OS BOLSOS!
Grande abraço!
























