De acordo com as investigações, o vereador alugou tratores pesados para que a prefeitura de Laranjal executasse diversos serviços pontuais de terraplanagem em 2021. A locação, entretanto, não era firmada diretamente com a prefeitura, mas sim por intermediação de um consórcio regional ao qual a prefeitura é vinculada. O dinheiro saía dos cofres públicos de Laranjal para o consórcio, e de lá ia para o vereador. Com a ajuda de um assessor do consórcio, que não foi envolvido na ACP por ter assinado Acordo de Não Persecução Cível (ANPC), a contratação era agilizada e direcionada para a empresa do vereador.
Além do favorecimento, as investigações mostraram que o secretário municipal de agricultura de Laranjal atuava como uma espécie de assistente do vereador de Muriaé, contrariando a função pública que exercia. Ele resolvia diversos problemas de manutenção nas máquinas pesadas, negociava orçamentos de equipamentos para os tratores, enviava relatórios assinados em branco para que o fornecedor preenchesse da maneira que achasse mais conveniente.
Já a secretária do gabinete do prefeito de Laranjal mantinha diversas conversas com o vereador, em que acelerava a quitação das faturas de prestação de serviço em troca de propinas. Conversas de whatsapp entre os dois mostraram que o vereador cobrava a servidora pelos pagamentos e, momentos após a quitação, a secretária recebia parcela do dinheiro por meio de chave pix pessoal. Em ambos os casos, ficou comprovado que os dois secretários serviam a propósitos particulares do vereador, que utilizava da estrutura de recursos humanos da prefeitura de Laranjal para fins exclusivamente pessoais.
A decisão judicial concedeu a indisponibilidade de bens até o limite de R$ 12 mil para o secretário de agricultura, R$ 9,9 mil para a secretária de gabinete e R$ 22 mil para o vereador. Eles também tiveram os bens imóveis bloqueados.