A CPI da Covid-19 inicia, nesta terça-feira, 4, a fase de investigação das ações e omissões do governo do presidente Jair Bolsonaro no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus, com uma agenda repleta de depoimentos. O primeiro a ser ouvido pelos senadores é o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, desafeto político do Palácio do Planalto. Ainda na sessão de hoje, está prevista a oitiva de Nelson Teich, que comandou a pasta por menos de um mês. Até o final desta semana, o colegiado vai ouvir o ex-ministro Eduardo Pazuello, principal alvo da comissão, o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres.
Mandetta deixou o Ministério da Saúde em abril de 2020, no início da crise sanitária no país, após um embate com Bolsonaro sobre as medidas de isolamento social e o uso de medicamentos sem eficácia no tratamento da Covid-19. Segundo apurou a Jovem Pan, o chamado G7, grupo formado pela maioria dos integrantes da CPI, vai questionar o ex-ministro se houve interferência do presidente da República nas diretrizes apontadas pela pasta. Os governistas, porém, pretendem questionar orientações dadas à época pela equipe ministerial, entre elas a de que as pessoas só deveriam procurar atendimento médico em caso de falta de ar – o objetivo era evitar a sobrecarga do sistema de saúde – e por que não foram adotadas barreiras sanitárias contra a doença. A tropa de choque do governo no Senado tem sido municiada com perguntas que devem ser feitas aos depoentes – a força-tarefa conta com a atuação direta de ministros da ala política da Esplanada. Acompanhe a cobertura abaixo:
12:06 – Mandetta: ‘Se houvesse vacinas, teria ido atrás delas como se vai atrás de um prato de comida’
No final de sua resposta sobre a existência de vacinas contra a Covid-19, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta afirmou que, se houvesse oferta, teria ido atrás dos imunizantes “como se vai atrás de um prato de comida”. “Na minha época não foi oferecida. Eu rezava para que fosse, teria ido atrás delas como se vai atrás de um prato de comida”, afirmou. Recado ao governo federal, que recusou uma oferta da Pfizer e desautorizou a aquisição de vacinas desenvolvidas pelo Instituto Butantan, ligado ao Estado de São Paulo, hoje comandado pelo governador João Doria (PSDB), desafeto político do presidente Jair Bolsonaro.
12:03 – ‘Vacinas promissoras contra a Covid-19 apareceram após a minha saída’, diz Mandetta
O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta disse ao senador Renan Calheiros (MDB-AL) que, enquanto esteve à frente do Ministério da Saúde, não havia nenhuma vacina com “resultados promissores”. “Em maio, depois de eu ter saído do ministério, é que a primeira vacina começa a ter testes em humano, a fase 2 dos testes clínicos”, afirmou. “A gente sabia que a saída era pela vacina”, acrescentou.
11:52 – ‘Abrimos 15 leitos em 37 dias’, diz Mandetta
Questionado pelo relator Renan Calheiros sobre as ações iniciais do Ministério da Saúde no combate à pandemia do novo coronavírus, no primeiro trimestre de 2020, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta afirmou que foram abertos 15 mil leitos em 37 dias.
11:48 – Renan Calheiros pergunta por que gestão Mandetta não estruturou programa de testagem em massa
“No mês de março, iniciamos todo o processo de aquisição de testagem – 24 milhões de testes. Não adianta apenas testar, tem que processar os testes de maneira automatizada. Fizemos um pool de laboratório, uma série de parceiros, para construir toda a lógica de testagem e entrega de resultado através de aplicativo diretamente para a pessoa e para a secretária de Saúde, disparamos o processo de aquisição com todas as dificuldades, mas isso só foi assinado pelo ministro subsequente [Nelson Teich]. Depois soube que esta estratégia não foi utilizada. Esta era, de uma maneira muito clara, a nossa estratégia: testar, testar e separar”, respondeu Mandetta.
11:38 – ‘Não é verdade que recomendei que pessoas procurassem hospitais apenas em casos de falta de ar’, diz Mandetta
Relator da CPI da Covid-19, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) questionou Mandetta se considerava “adequada” a “a recomendação de que pacientes deveriam procurar serviços de saúde apenas quando apresentassem sintomas mais severos, como falta de ar”. O ex-ministro da Saúde afirmou que isso não é verdade. “Não é verdade [que recomendei isto], senador. Em janeiro, fevereiro, não havia um caso confirmado no Brasil. O que havia eram pessoas em sensação de insegurança, em pânico, porque viam no mundo inteiro situações como o lockdown na Itália, o hospital construído na China, e as pessoas procuravam hospitais para fazer testes. Só fizemos transmissão comunitária depois do dia 24 de março. No momento de virose, a orientação sempre foi observar e não procurar o hospital, porque lá haveria aglomeração. Lá, sim, o paciente positivo contaminaria na sala de espera. Eu tenho percebido que essa máxima é uma guerra de narrativa. Todas as orientações foram para dar entrada pela sistema de saúde”, disse Mandetta.
11:30 – ‘Não vou aceitar provocação de amigos e de companheiros’, diz Renan Calheiros
O relator da CPI da Covid-19, Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou que não vai aceitar “provocação de amigos e de companheiros”. “Calado estarei errado. Essa CPI não será nem do governo nem da oposição. Nós temos um compromisso pela busca da verdade, esteja onde estiver. Qualquer meio necessário para que possamos acessar a verdade, vamos ter que fazer, dentro do fato determinado. A CPI pode tudo, absolutamente tudo, no limite da Constituição e do despacho do presidente do Senado Federal”, disse. “Precisamos saber, ao longo dessa investigação, se houve, por ações, omissões, negligências ou desídias, o que nos levou a esse quadro dantesco de mais de 400 mil mortes, milhões de infectados e sequelados. Sua presença fundamentalmente objetiva que Vossa Senhoria nos ajude nesse objetivo e nesse propósito”, acrescentou o emedebista.
11:11 – ‘Em dezembro de 2019 captávamos rumores de uma pneumonia atípica no Brasil’, diz Mandetta
Em sua exposição inicial, Mandetta afirmou que “em dezembro [de 2019] nós captávamos rumores de uma pneumonia atípica no Brasil”. Diante das informações, o então ministro da Saúde procurou a Organização Mundial de Saúde (OMS). “A informação que tínhamos era muito primária: trata-se de vírus da classe coronavírus, que faz pneumonia, que tem transmissão comunitária e entre humanos. Basicamente era o que tínhamos, a pedra bruta. A OMS deu um alerta internacional e manteve todos os voos da China, manteve o funcionamento. Tínhamos a orientação de ficarmos vigilantes”, disse Mandetta.
11:06 – Mandetta inicia seu depoimento
“Este episódio coronavírus é um episódio fulcral. Se Eric Hobsbawn for escrever breve século 21, ele vai começar pela grande pandemia. O vírus se transformou num ataque global, mundial, e não há nenhum raciocínio individual que prevaleça ao raciocínio coletivo”, diz Mandetta. O ex-ministro terá 10 minutos para sua exposição inicial.
11:00 – Mandetta chega ao plenário para prestar depoimento
O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta chegou, há pouco, ao plenário da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde ocorrem os trabalhos da CPI da Covid-19. Depoimento começará em breve.
10:37 – Alegando suspeita de Covid-19, Pazuello pede dispensa de depoimento na CPI
O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello comunicou à CPI da Covid-19 que teve contato com dois assessores com suspeita de estarem infectados com a doença e pediu dispensa de seu depoimento. Por isso, o colegiado deve deliberar sobre a possibilidade de a oitiva ocorrer virtualmente – esta hipótese é defendida pelo presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM).
10:21 – Começa a sessão da CPI da Covid-19
O presidente da CPI da Covid-19, Omar Aziz (PSD-AM), deu início à sessão desta terça-feira, 4. Os senadores irão ouvir o depoimento do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Saiba o que esperar da oitiva do ex-chefe do Ministério da Saúde.























